Òfún Ìrètè

Ifa em Ofunrete:

Se existe algo pior que a morte é o medo de morrer.


Ifa em Ofunrete:

Ifá diz que a pessoa para quem se revela esse Odù é uma pessoa muito influente e capaz naquilo que faz.

Ifá diz que o número de pessoas que nos respeitam só faz aumentar o número de pessoas que nos desejam mal.

“Sàjéjé awo Atàlẹ̀dè
Adífá fún Ṣọ̀npọ̀nná
Ẹléwù iná
Ẹléwù ẹ̀jẹ̀
Ẹbọ ni wọ́n ní kó ṣe
Ó sì gbọ́gbọ́ n bẹ ni ó rúbọ
Njẹ́, tí Ṣọ̀npọ̀nná bá ńlálẹ̀ bò
Gbogbo ayé ni ń pa kẹ́sẹ̀”

Sàjéjé, awo de Atálẹ̀dè, foi quem fez uma divinação para Ṣọ̀npọ̀nná, aquele que se veste de fogo, aquele que se veste de sangue. Orientaram-no a fazer ebó para que as pessoas jamais perdessem o respeito por ele. E ele realizou o sacrifício. Por isso, não importa onde Ṣọ̀npọ̀nná esteja, todos ao seu redor ficam em silêncio.

Ifa em Òfúnrete

Orunmila chegou a uma terra onde as pessoas estavam envolvidas na extração de azeite dos Ikins e ninguém acreditava em Ifa.

Por mais que Orunmila tentasse explicar as bençãos que tinham os ikins por ser a arvore da vida para os adivinhar os destinos eles debocharam de Orunmila e o tiraram como louco.

O tempo passou e chegou a guerra e veio junto com a doença, onde os inimigos atearam fogo à terra por todos os lados. As pessoas foram à casa de Orunmila e este lhes disse o ebo onde ganharam a guerra, mas não tinham do que viver e Orunmila plantou sementes de ikins que deram frutos, mas mesmo assim eles foram mais uma vez desonestos e enganaram Orunmila e ferveram os ikins para extrair azeite e vender.

Orunmila começou a suspeitar e Esu foi contar-lhe toda a verdade, mas Orunmila era velho e mancava de uma perna, por isso não poderia pegá-los em flagrante.

Orunmila fez um ebo como uma rede de finíssimos fios de teia de aranha e espalhou na plantação de ikins, de forma que pegou todos e a miséria voltou àquela terra.


Ifá em Òfún’rété (Òfún Irètè)

Wereweri no céu…

Òwèwè, aquele que afasta a pobreza com perfeição. Foi consultado no jogo para apenas um Orì e também para as quatrocentas e uma divindades celestiais, que iriam até Ọlọrùn, o Criador Supremo, para tentar abrir o obi do àṣẹ.

Ogbon (a Sabedoria) orientou todos a realizarem o sacrifício (ebo). Entretanto, as quatrocentas e uma divindades desobedeceram à sua orientação. Somente Orì obedeceu, e seu sacrifício foi aceito.

Qual era a ordem dada por Ogbon? Todos deveriam acordar ao amanhecer e louvar Ọlọrùn, o Criador Supremo. Todos os Òrìṣà perderam a hora. Somente Orì despertou a tempo e lançou-se ao chão em reverência a Ọlọrùn.

Depois disso, todos os Òrìṣà foram diante do Criador e pediram a Ogbon que apresentasse o obi da autoridade. Todos tentaram abri-lo, mas nenhum conseguiu. Somente Orì foi capaz de abri-lo, pois havia realizado o ebo. Ao dividir o obi, recebeu as respostas da adivinhação. A resposta foi favorável e uma grande celebração aconteceu. Houve júbilo e grande alegria nos céus.

Assim, o lugar mais elevado e central, o Apèrè, passou a pertencer por direito a Orì. Quando Orì tomou seu lugar, os demais Òrìṣà, tomados pela inveja, conspiraram para destroná-lo. Òrìṣànlá foi o primeiro a desafiar sua autoridade. Orì o lançou ao chão e o enviou para Ajalamó, onde os destinos são moldados. Em Ajalamó, Òrìṣànlá tornou-se o grande especialista e escultor dos destinos.

Orì criou Amakisi no Oriente, onde nasce a luz da manhã sobre a Terra. Orì venceu todos os Òrìṣà e os estabeleceu nos lugares onde hoje são reverenciados.

Ao despertar, eu reverencio Ọlọrùn. Que todas as coisas boas venham até mim. Meu Orì me concedeu a vida. Dê-me o poder de superar a mortalidade, para que eu não morra antes do meu destino. Que todas as coisas boas me pertençam, assim como a luz pertence a Amakisi.

Orì é importante porque foi ele quem escolhemos no Ọ̀run para nos acompanhar neste mundo e nos conduzir ao cumprimento de nosso destino. É Orì quem nos concede a capacidade de fazer escolhas. Mesmo antes do Òrìṣà, existe Orì, que nos orienta. Nada pode se manifestar sem que façamos uma escolha. É Orì quem nos conduz de volta ao Òrìṣà.

Se observarmos o termo Orìṣà, veremos que ele faz referência à coroação da cabeça. É a coroação do Orì das divindades que as torna Òrìṣà. Todos escolhem o seu destino, e quem realiza essa escolha é Orì. Nada pode acontecer sem que façamos uma escolha ou sem saudarmos Orì.

Por isso, Orì vem primeiro, porque é ele quem nos conduz a Olódùmarè (Ọlọrùn). Orì é a ligação direta com Olódùmarè. É a ligação com a força chamada Ẹlẹ́dà, a energia criadora e incondicional, o pensamento de Ọlọrùn presente em todos nós.

É por isso que, quando saudamos nossa cabeça, estamos saudando também Ẹlẹ́dà, pois é por meio de nosso Orì que essa conexão acontece.

Ifá gbé wa o.

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