IFÁ DIZ:
Se você está em uma jornada para a maturidade espiritual, é necessário ter cuidado com a forma como lida com as situações, ou sua jornada será interrompida.
Essa é a lição do Sagrado Odu Òtúrá Òsá, onde encontramos a poderosa história dos quatro pássaros: Igun, Akala, Agbe e Odidere.
Certa vez, esses quatro pássaros — Igun, Akala, Agbe e Odidere — decidiram buscar conhecimento espiritual e iniciaram sua jornada ao templo de um sacerdote idoso e sábio chamado Alapanshiki, a quem pediram para serem iniciados nos mistérios de Ifá.
Alapanshiki iniciou Odidere, Akala e Agbe, mas Igun ainda não havia completado seu processo de iniciação. Por isso, não era levado nas jornadas espirituais com os demais; era sempre deixado em casa para cuidar do espaço. Com o tempo, a frustração e a impaciência de Igun cresceram.
Durante uma das viagens espirituais de Alapanshiki com os iniciados, Igun invadiu a casa do mestre e roubou um poderoso ebò (encanto) chamado “Faça o que eu digo”, que ele havia observado ser muito eficaz. Com esse encanto, voou para uma aldeia distante, estabeleceu-se como sacerdote e passou a realizar previsões precisas — não por sabedoria, mas pelo poder do ebò roubado.
Logo, ganhou grande fama, respeito e muitos seguidores.
Ao retornar da jornada, Alapanshiki percebeu o desaparecimento de Igun e do encanto sagrado. Então, enviou seus três iniciados — Akala, Agbe e Odidere — para recuperar o que havia sido roubado.
Akala foi o primeiro. Ao ver Igun vivendo em prosperidade e sendo adorado por seus seguidores, sentiu raiva. Confrontou Igun de maneira agressiva, acusando-o de charlatanismo, expondo sua iniciação incompleta e o roubo do encanto. Os seguidores de Igun, no entanto, não deram ouvidos.
Igun, irritado, usou o mesmo encanto para amaldiçoar Akala, condenando-o a voar para as profundezas da floresta e jamais retornar. E assim foi. A jornada espiritual de Akala foi interrompida.
Agbe foi o segundo. Também tomado pela indignação, enfrentou Igun de forma agressiva, tentando abrir os olhos de seus seguidores para a farsa que presenciava. Repetiu os mesmos erros de Akala.
Igun novamente se enfureceu e amaldiçoou Agbe, condenando-o ao mesmo destino de Akala — sumir na mata sem jamais retornar. Mais uma jornada interrompida.
Por fim, Odidere se preparou. Antes de partir, foi consultar Ifá. E Ifá o aconselhou com sabedoria:
“Não vá com agressividade. Seja gentil. Fale com doçura.”
Guiado pelo oráculo, Odidere encontrou Igun, o cumprimentou com respeito e falou com calma. Disse que o mestre apenas queria o encanto de volta, e que esperava que tudo se resolvesse com paz.
Igun, tocado pela humildade e respeito de Odidere, não apenas devolveu o encanto roubado, como também usou seu poder para orar por Odidere e abençoá-lo. Assim, Odidere também prosperou, mas sem perder sua integridade nem interromper sua jornada espiritual.
Por que Odidere teve êxito onde os outros falharam?
Porque ele permitiu que Ifá o guiasse. Ele não se deixou levar pelas emoções, nem agiu com base em seus próprios entendimentos. Odidere confiou no oráculo, foi prudente e respeitoso — mesmo diante da injustiça.
Essa história está acontecendo hoje, em muitos lugares e vidas.
Temos muitos Igun — pessoas que avançam espiritualmente ou profissionalmente de forma ilegítima, com atalhos e aparência de poder.
Temos muitos Akala e Agbe — que, mesmo com razão, perdem sua direção espiritual por reagirem com fúria e arrogância.
Mas quantos de nós agimos como Odidere?
Lição de Ifá:
“Você não deve obstruir um veículo em movimento, a menos que tenha sido ordenado a fazê-lo. Senão, será esmagado!”
Alguns estão em missão — mesmo que negativa — e foram autorizados a cumprir esse papel no universo. Você não vence o mal imitando o mal. Você vence com sabedoria, paciência e orientação espiritual.
Afaste-se daqueles que não se importam com as consequências de suas ações. Não lute na lama com o porco. Ele se diverte; você se suja.
Ifa gbe wa o.
Oluwo Ifagboun Ajisafe.
Ifá nos ensina no Odù Òtúrá Òsá:
“Se respondermos ao mal com mais maldade, o mal permanecerá em nossas vidas.”
Ifá nos ensina que o mal é um veneno que se reproduz quando se alimenta.
Quando alguém age com malícia, ódio ou engano, está se desviando do caminho do Ìwà Pẹ̀lẹ̀, o bom caráter, que Òrúnmìlà nos ensinou a seguir.
A verdadeira vitória contra o mal não está em retribuir danos por dano, mas em conservar a paz interior e agir com sabedoria.
Ifá nos lembra que aquele que semeia maldade colhe desgraça, mas quem age com paciência e retidão, será protegido pelos ancestrais e sustentado pelo Àṣẹ do céu.
A justiça de Ifá não falha, e o tempo sempre revela o coração de cada ser humano.
Por isso, o sábio não se rebaixa ao nível do injusto, mas eleva o seu espírito acima da ofensa.
Ifá nos aconselha:
Seja forte, mas não cruel.
Seja firme, mas não vingativo.
Seja justo, e Ifá te sustentará.
Àṣẹ. Àṣẹ. Àṣẹ.
