O passo firme vence a corrida.
Na terra de Ignerin vivia um jovem muito ambicioso. Queria tudo rápido: riqueza imediata, respeito instantâneo e poder sem espera. Quando via outros avançando pouco a pouco, zombava:
“Aquele que caminha devagar nunca chegará a lugar nenhum.”
Esse homem começou muitos negócios ao mesmo tempo, fazia promessas que não podia cumprir e tomava decisões sem pensar. Não ouvia conselhos, nem respeitava o tempo das coisas. Sua mente corria mais rápido que seus próprios passos.
Um dia, foi à casa de Orunmila em busca de orientação. No oráculo, Oturase foi revelado. Orunmila então o aconselhou:
“A pressa quebra o que a paciência constrói. Caminhe com suavidade, cabeça fria e constância. A árvore grande não nasce em um dia.”
Mas o homem não quis ouvir. Acreditava que conselhos eram para os fracos e lentos. E seguiu correndo atrás de tudo que brilhava.
Com o tempo, começou a perder dinheiro, amigos e oportunidades. Por querer fazer tudo, não concluía nada. Por correr demais, tropeçava repetidamente. Enquanto isso, aqueles que avançavam devagar — com disciplina e humildade — começaram a prosperar.
Os anos passaram, e o homem voltou até Orunmila, cansado e derrotado. Foi então que percebeu algo que antes não via: aqueles que caminhavam com calma já haviam construído casas, estabilidade e bons negócios. Foram longe porque não abandonaram o caminho.
Orunmila lhe disse:
“O rio que avança sereno sempre encontra o mar. Quem corre sem direção acaba perdido.”
A partir desse dia, o homem aprendeu a trabalhar com paciência, a pensar antes de agir e a respeitar o tempo da vida. Aos poucos, começou a se reerguer — e compreendeu o ensinamento de Ifá.
Ifá, através de Oturase, nos ensina:
Nem sempre vence quem corre mais rápido, mas aquele que permanece firme, sem desviar do caminho.
A constância vale mais do que o desespero.
