Òfún Méjì

Ifá diz que não devemos trair um amigo, a menos que queiramos experimentar uma morte inesperada.

As amizades, particularmente aquelas que existem há anos e resistem às distâncias, constroem-se, em grande parte, sobre a confiança e o respeito. Os segredos são guardados, e os amigos se comportam de maneira adequada entre si e com as pessoas próximas.

No entanto, essa confiança e esse respeito podem ser traídos. Superar a traição de um amigo pode ser extremamente difícil. Ainda assim, de acordo com Ifá, existem atitudes que podem ajudar a restaurar a amizade ou seguir em frente.

  • A primeira coisa que Ifá ensina é que devemos estar dispostos a perdoar, seja para reparar a amizade ou simplesmente para seguir adiante.
  • Enfrentar o amigo diretamente sobre a traição, perguntando os motivos e controlando o próprio caráter para não cair na ira.
  • Ifá diz que não é bom vingar-se de quem o traiu.
  • Se você decidiu permanecer em bons termos com seu amigo, dê tempo ao tempo para reconstruir a confiança e superar a traição.

Finalmente, é importante considerar que Ifá diz que aquele que trai um amigo pode sofrer consequências fatais em sua vida, inclusive a morte.


No Odù Òfún Méjì, Ifá ensina que é o seguidor (Omo-Ifá) quem deve procurar o seu sacerdote, e não o contrário.

Todos os Omo-Ifá que não procuram o seu sacerdote devem ser considerados arrogantes, porque demonstram que não precisam de Ifá, muito menos de seus desígnios através dele.

Basta refletir:

Qual é o valor de um poço ou de um rio sem água?
Qual é o mérito de um filho sem seus pais, mesmo depois da morte deles?
Qual é a utilidade de um seguidor sem o seu mestre por perto?


IFÁ nos ensina no Odù Òfún Méjì 

A paciência é uma virtude alimentada pela sabedoria e pela humildade.

Òfún Méjì nos lembra que nada grandioso se conquista com pressa, e que tudo o que nasce da urgência costuma desaparecer antes do tempo. O bambu leva anos para emergir da terra, mas, quando o faz, torna-se firme, alto e flexível diante do vento.

IFÁ diz:

“Ojú kan kò lè dá’jọ́”

“Um único olho não pode julgar um caso.”

Assim também, uma única emoção não deve nos guiar na vida.

Quando a raiva assume o leme, o barco da vida naufraga; mas, quando o coração escuta e a mente pensa, o destino se endireita.

Òfún Méjì fala da luz, do conhecimento, das palavras que curam e também daquelas que ferem.

Adverte-nos de que devemos falar com intenção, guardar silêncio com prudência e agir com propósito.

Este Odù nos ensina que a pessoa que cultiva o seu interior torna-se um farol para os outros, mesmo em meio à tempestade.

Porque Ifá não busca a perfeição, mas sim consciência, constância e alinhamento com o destino.

Hoje, Ifá nos diz:

Respire antes de reagir.
Pense antes de falar.
Observe antes de julgar.
E, sobretudo, confie que aquilo que é seu por destino não pode ser tirado de você.

“Ìwà pẹ̀lẹ́ ni èṣin Ifá.”

“A conduta nobre é o cavalo de Ifá.”

Ifa em Ofun Meji:

“Quando a morte vem, a verdade não aceita oferendas”.

Baba Ofun Meji volta a colocar uma espada na mesa. A maioria acredita que este ditado fala apenas de morte física, mas sua profundidade é muito maior. A morte é o momento em que toda ilusão acaba. É o momento em que se desmoronam as aparências, as acusações, as riquezas, as justificações e as histórias que o ser humano contou a si mesmo durante uma vida inteira. Quando esse momento chega, a verdade fica sozinha na sua frente. E a verdade não negoceia.

É por isso que o ditado não é uma ameaça, é um aviso. Lembra-nos que existe uma realidade que nenhum poder humano pode comprar. Você pode enganar outras pessoas. Você pode enganar uma comunidade. Você pode até se enganar por muitos anos. Mas você não pode enganar a verdade do seu próprio Ori.

Aí aparece um dos ensinamentos mais profundos de Ifá. A missão de Orunmila nunca foi esconder o ser humano da verdade, mas conduzi-lo até ela. Por isso é conhecido como Eleri Ipin, a testemunha do destino. Não porque venha mudar arbitrariamente o que foi estabelecido, mas porque possui a sabedoria necessária para ajudar o ser humano a lembrar o rumo certo quando se perde entre as ilusões de Ayé.

A tragédia do homem não é a morte. A tragédia é chegar ao fim da estrada sem saber quem eu realmente era. É viver perseguindo sombras e descobrir tarde demais que a verdadeira riqueza estava dentro da própria consciência. É acumular objetos enquanto o Ori permanece abandonado. É conquistar o mundo lá fora enquanto o mundo interior permanece em ruínas.

Por isso os antigos colocaram o Ori acima de tudo. Porque nenhum orixá pode fazer por um indivíduo o que esse indivíduo se recusa a fazer consigo mesmo. O Ori é o primeiro altar, o primeiro templo e a primeira responsabilidade espiritual do ser humano. Quando a cabeça vive alinhada com a verdade, a pessoa caminha firme. Quando ela vive longe dela, nenhum ritual pode lhe dar estabilidade permanente.

O verdadeiro propósito de Ifá não é preparar o homem para evitar a morte. É prepará-lo para encontrar a verdade sem medo quando a morte chegar. Porque quando todas as máscaras finalmente desaparecerem, só restará uma pergunta:
Quem você realmente foi?

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